Vocês já pensaram a respeito da rapidez com que as coisas mudam? A pessoa mais velha do mundo, uma senhora japonesa com 118 anos, viu a invenção do automóvel, do avião, da bomba atômica, viu a sociedade transformar-se radical e profundamente em um espaço de apenas 100 anos, sendo ainda que nos últimos anos a velocidade de mudança vem aumentando progressivamente. E onde isso nos leva, em termos de competências comportamentais requeridas no trabalho?

Já mencionei isso em um artigo anterior, mas é importante repetir. Em 1910, ou seja, em um passado recentíssimo se considerado todo o período coberto pela História, as qualidades mais prezadas e reconhecidas nas pessoas eram relacionadas com previsibilidade, disciplina, submissão, lealdade, estabilidade e manutenção do “status quo”. Isso era perfeitamente compreensível na época, uma vez que não haviam telefones, aviões, fax, televisão e principalmente, Internet.

Uma pessoa que viva até os 100 anos nos dias de hoje, terá visto muito mais mudanças nesse período do que toda a Humanidade precedente, onde as pessoas viviam suas vidas por gerações sem mudança alguma. Nada.

Este processo de desenvolvimento tecnológico em progressão geométrica assumiu proporções inimagináveis a partir de 1950 e continua acelerando. Essa mudança contínua cobra um preço às pessoas. Saimos de uma época em que as características de estabilidade davam o tom comportamental e ingressamos em uma nova era, em que a audácia, a capacidade de correr riscos, a adaptabilidade e a flexibilidade passam a ser cada vez mais solicitadas.

Entretanto, o perfil das pessoas não mudou (ainda). Elas continuam tendo as mesmas características de sempre, o que é paradoxal, porque são elas as responsáveis pelo desenvolvimento tecnológico que transformou e continuará a transformar a sociedade. A rapidez com que isso acontece é algo a se pensar porque o ser humano tem limitações quanto à sua capacidade de assimilar mudanças radicais no estilo de vida em sociedade. O homem resiste à mudança. Sempre resistiu.

Assim, caímos em um paradoxo. Há um limite para a aceleração no processo de mudanças? Alguém já disse que o limite para mudanças profundas na sociedade e no modo de vida, está no espaço de uma geração pelo menos, para que essas mudanças se solidifiquem. Isso significa um período de 25 anos aproximadamente. Teoricamente, a Humanidade não conseguiria assimilar mudanças radicais em períodos mais curtos que isso. Será?

Atualmente, há uma nítida sensação de que estamos no máximo de nossa capacidade de assimilar mudanças enquanto sociedade. O volume de informações novas, de tecnologias, de conceitos a serem aprendidos, reciclados, atualizados, é absolutamente enorme!

Nesse contexto, alguns especialistas em gerenciamento acreditam que o desenvolvimento da intuição como característica gerencial é importantíssimo. E porque a intuição? Porque é praticamente impossível a um ser humano estar sintonizado em todas as áreas de conhecimento e informação.

Líderes intuitivos, gerentes com uma boa capacidade de olhar para a frente e “sentir” o caminho, as tendências, tomar decisões em cima de um mix de informações e intuição são muito considerados, principalmente quando acertam. O uso da intuição, como instrumento de gerenciamento é certamente polêmico, mas faz-se necessário e o aprendizado passa pelo velho método da tentativa e erro. Uma característica de muitas organizações hoje é a de encorajar que as pessoas cometam erros tomando decisões. Algo como “ações não são puníveis, mas omissões sim”. Trata-se de uma política de risco calculado, e um dos objetivos é o de desenvolver a intuição, visto que em situações de pressão (que se tornam cada vez mais freqüentes na rotina profissional) o indivíduo muitas vezes só terá esse recurso para lançar mão. Isso exige muita autoconfiança e grande capacidade de adaptação, como já foi dito.

De qualquer modo se impõem hoje uma necessidade muito clara: mais do que nunca, o reconhecimento da necessidade de mudança e adaptação é necessário para fazer frente aos desafios do nosso cotidiano cada vez mais vertiginoso. É o momento de investir em mapeamentos de Talentos, em processos de autoconhecimento e autodesenvolvimento, uma vez que carreiras bem-sucedidas poderão depender disso. Quanto mais claro isso for tanto para as pessoas como para as organizações, mais preparadas elas poderão estar para conviver e se sobressair nesse novo ambiente.

Edson Rodriguez é consultor em Gestão de Recrutamento, Treinamento e Desenvolvimento. É diretor e sócio fundador da Peex Brasil (www.peexbrasil.com.br) e do Ideal Disc (www.idealdisc.com.br).

Publicou os seguintes livros:

CONSEGUINDO RESULTADOS ATRAVÉS DE PESSOAS

FUTEBOL PARA EXECUTIVOS

PORQUE ALGUNS VENDEDORES VENDEM MAIS QUE OS OUTROS

A CASTA IMORTAL

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